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Ana Gouveia

Directora de Recursos Humanos da Winterthur Portugal

A forte competitividade que tem caracterizado o mercado nas últimas décadas tem tido como efeito, na maioria dos sectores de actividade, um esmagamento das margens que obriga a uma gestão empresarial cada vez mais profissional e exigente .

O  êxito das empresas depende da capacidade em entender o mercado em cada momento e responder, com a máxima rapidez possível, com a oferta do melhor produto ao melhor preço.

A rapidez e a minimização dos custos de produção, exigem níveis de eficiência operacional só conseguidos através de uma cada vez maior racionalização e automação dos processos de trabalho. Estes níveis de automação, suportados em sistemas cada vez mais sofisticados e complexos, exigem profissionais com cada vez maiores níveis de qualificação.

Esta qualificação não se resume ao conhecimento dos processos e sistemas. Gerar e gerir a eficiência operacional nas empresas exige pessoas com competências e capacidades para interagir e agir sobre os sistemas, controlando, monitorando e optimizando a sua exploração.

Por outro lado, a compreensão do mercado, a concepção e a comercialização de novos produtos percebidos como de maior qualidade pelo cliente, exige pessoas com elevados níveis de qualificação e com competências a nível do tratamento e interpretação da informação, bem como com a capacidade de conceber  soluções de acordo com as necessidades e expectativas do cliente.

O trabalhador que segue cegamente as instruções de um chefe ou de um manual de procedimentos, sem nada entender do funcionamento ou da finalidade da máquina ou do papel que manipula, nem do objectivo final da tarefa que executa, raramente acrescenta valor à organização em que se insere.

O colaborador que oferece um produto ou serviço inadequado ao cliente (quer pelo preço, quer pelo timing, quer pela ausência de valor percebido), não só não acrescenta como reduz o valor da empresa em que trabalha.

Hoje,  cada vez mais, são as capacidades, competências e valências cognitivas dos colaboradores que são importantes, e não as operativas. 

As empresas são constituídas por pessoas que recebem, percebem e transformam Informação em Conhecimento, através da interacção com sistemas. Agem sobre os sistemas, não reagem apenas. Não são meros executantes, são decisores.  Em diferentes níveis de responsabilidade e de complexidade, é certo. Mas a todos os colaboradores cada vez mais se exige qualificação e conhecimento, autonomia e decisão.

Gerir Recursos Humanos é  lidar com a inteligência , os valores e a vontade das pessoas em contexto empresarial.

É alinhar inteligências e vontades com  os objectivos estratégicos e usar as competências de modo a conseguir cumpri-los de forma eficaz, eficiente e sustentada. Não através da manipulação demagógica ou amadorista das pessoas, mas através de um conjunto de métodos, técnicas, ferramentas e processos que de forma racional, estruturada e sistemática apoiam e potencializam a transformação das Competências em Resultados.

É este o tema que Ricardo Fortes da Costa tão brilhantemente nos expõe, de forma didática, prática e simples, mas sem concessões ou facilidades. 

A vida nas empresas , as situações que se geram,  as resoluções,  as soluções  e as aprendizagens.

Enfim, os percursos da Informação ao Conhecimento, das Competências aos Resultados e vice-versa, porque  o Conhecimento gera necessidade de mais Informação e o atingir Resultados gera motivação para aquisição de novas ou maiores Competências.

É isto o Desenvolvimento de Pessoas.  É isto a Gestão das Pessoas.
 
Lisboa, Janeiro de 2003
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