As Múltiplas Inteligências - Diário Económico (2013)

O contexto em que vivemos é de revolução e crise permanentes: todos temos de aprender a lidar com cenários em que as nossas certezas são questionadas por uma mudança cada vez mais exponencial. Hoje, temos necessidade de nos superar permanentemente: é imperativo antecipar as exigências e necessidades do futuro, às quais deveremos responder de forma inovadora e surpreendente.

Esta mudança de paradigma competitivo leva a que: 1) a aprendizagem ao longo da vida seja uma responsabilidade de nós próprios enquanto primeiros interessados no nosso desenvolvimento; 2) as universidades não sejam “supermercados de fast-knowledge”, mas sim centros de conhecimento onde devemos encontrar experiências de aprendizagem relevantes; 3) a preparação para um futuro incerto e competitivo não se faça através de um somatório de actividades curriculares tradicionais, pois o paradigma de aprendizagem também mudou.

Então como podemos preparar-nos melhor para o futuro? De muitas formas, mas focaremos aqui apenas uma delas: a forma como desenvolvemos as múltiplas inteligências que todos temos.

Habitualmente, o contexto académico centra-se no desenvolvimento da chamada “inteligência clássica”, também conhecida por inteligência analítica, medida pelos testes de QI. Este tipo de inteligência tem por característica permitir-nos resolver problemas bem definidos, sobre os quais temos toda a informação necessária e para o qual só há uma resposta certa (tipicamente os problemas que aprendemos a resolver nas escolas). Ora sucede que fora do contexto académico as coisas são por vezes diferentes: muitas vezes os problemas com que nos deparamos não têm uma formulação precisa, a informação disponível é parcial ou excessiva e o problema muitas vezes tem mais do que uma resposta certa!

E é para este novo paradigma que a educação de executivos tem de estar preparada. Como? Sabendo estimular os outros dois tipos de inteligência que necessitamos de treinar: a) a “inteligência criativa”, ou seja, a capacidade de encontrar respostas novas para problemas e a capacidade de identificar novos problemas para resolver (treinando as capacidades interrogativas, ou seja, a capacidade de observar, ter juízo crítico e questionar); b) a “inteligência prática”, ou seja, a capacidade de mobilizar recursos e vontades para colocar em prática uma solução para determinado problema (o que exige boa gestão emocional, resiliência, iniciativa e competências sociais). Significa isto que estudar é insuficiente? Sim. É preciso saber trabalhar em equipa, produzir colectivamente, ter espaço para pensar, experimentar e tolerar a frustração e a diferença. Na Católica Lisbon trabalhamos estas competências desde a base.
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Ricardo Costa,
21/01/2014, 11:35
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