A Geração Y e a Crise (DE 2012)

Num estudo recente feito pela PayScale, Inc. e a Millennial Branding sobre a Geração Y (que está agora entre os 19 e os 29 anos de idade), são apontadas algumas tendências reveladoras de como funciona esta nova geração dos millennials. Uma das tendências aponta para o facto da geração Y preferir trabalhar em empresas mais pequenas (menos de 100 trabalhadores), onde têm mais facilmente acesso a 3 grandes activos: i) flexibilidade de trabalho; ii) ambiente empreendedor; iii) livre acesso aos media sociais.

A minha experiência junto de jovens talentos nas universidades confirma-o: esta nova geração é de facto muito diferente, em grande parte por terem crescido num paradigma global, em que as pessoas se ligam naturalmente umas às outras, comunicam e interagem através do social media e valorizam muito mais a sua individualidade e singularidade, bem como a sua liberdade de pensamento.

O paradigma do emprego para a vida caiu por terra, e a fidelidade deixou de ser dirigida aos empregadores, passando a dirigir-se ao portfolio de competências de cada indivíduo. Por isso a atractividade das empresas enquanto empregadores também necessita de se reinventar, oferecendo oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento, contextos profissionais desafiantes e estimulantes, menos estruturados e mais criativos (sem comprometer o risco operacional, claro). A esta nova tendência, chamo “management by connecting abroad“.

Outro aspecto interessante é que hoje a geração Y encara um mentor como uma peça crucial no mundo profissional, em que o bom aconselhamento e o contacto com pessoas de elevada senioridade são peças-chave para boas opções de carreira. Segundo outro estudo recente da PwC, uma significativa maioria da geração Y vêm um mentor como uma parte integrante do seu desenvolvimento. Para as empresas, a existência de um programa de mentoring tornou-se hoje ainda mais relevante dada a importância percebida pelos novos talentos: o mentor partilha uma experiência valiosa e dá ao mentee a oportunidade de interpretar e atribuir valor a essas experiências.

Sendo certo que em empresas mais pequenas é mais fácil reinventar esta proposta de valor, nada impede que grandes corporações possam fazer o mesmo…

Na Católica Lisbon, desenvolvemos um programa de mentoring em que executivos e empresários que foram nossos alunos ajudam os jovens talentos a gerir a sua carreira em tempos de crise, criando cada vez mais valor e promovendo uma cada vez mais crítica empregabilidade.

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Ricardo Costa,
03/10/2012, 03:11
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